Como resolver a frustração no trabalho

O sentimento de frustração, independentemente do contexto, está associado ao não cumprimento das expectativas da própria pessoa em função de uma dada situação, desempenho ou relação.

No caso do trabalho, a frustração surge quando aquilo que é esperado não acontece: pode ser uma promoção, uma recolocação, um prémio, os objectivos traçados ou, ainda, a própria qualidade das relações interpessoais, com colegas e chefias.

É importante lembrar que todas as vezes em que lidamos com pessoas, estamos a lidar com expectativas, desejos e anseios e nem sempre os mesmos são coerentes ou ajustados com a realidade.

Além disso, o modo como compreendemos o nosso papel e o dos outros no cumprimento destas expectativas, pode levar a um maior ou menor sentimento de frustração.

Quando funcionamos a partir de um locus de controle externo, delegamos ao outro a responsabilidade por cumprir os nossos anseios.

Este modo de pensar gera inevitavelmente um maior sentimento de frustração. Parte-se do pressuposto que o outro tem o dever de saber e fazer aquilo que é importante para nós, independentemente da nossa atitude para com o objectivo, que na maioria das vezes nem sequer é claro e específico para a própria pessoa que criou a expectativa.

Por outro lado, quando funcionamos a partir de um locus de controle interno sabemos que depende de nós a realização dos nossos objectivos. Ou seja, compreendemos que temos um papel importante e fundamental na definição e operacionalização dos mesmos.

Contudo, esta não é uma tarefa tão fácil quanto parece, pois depende que tenhamos consciência daquilo que queremos e do porquê o queremos, tendo em vista o efeito da realização deste objectivo em nossas vidas a curto, médio e longo prazo.

Por vezes procrastinamos devido a conflitos internos, subjectivos, que envolvem mecanismos de auto-sabotagem e um profundo medo do crescimento pessoal.

Nem sempre é fácil sustentar em voz alta para o mundo aquilo que queremos e que nos incomoda. Afinal, todas as escolhas tem consequências.

O balanço entre perdas e ganhos, vantagens e desvantagens não é um exercício apenas cognitivo, mas também profundamente emocional.

Portanto, pensemos na frustração como um alarme que está a soar estridentemente em nossos ouvidos a dizer que qualquer coisa precisa de mudar.

Tenhamos coragem de nos perguntar o que nos aflige e o que podemos fazer diferente em nossas vidas, pessoal e profissional. Estas fronteiras são apenas aparentes.

Usemos a nossa bagagem como trampolim para construir mudanças e não como assento para estagnarmos.

Marcela Almeida Alves
Psicóloga, Coach & Formadora
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